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5.2.12

Interpretação dos Sonhos

Se voltasse a fazer alguma dia terapia para resolver algumas pendências que ainda me incomodam, optaria por uma terapeuta que trabalhasse com sonhos. 
Quando residia em São Paulo – morei 30 anos nessa cidade -, fiz terapia com uma psicóloga durante 2 anos. Muito boa, por sinal, e que dava bastante espaço para trabalharmos com os sonhos que levava para a terapia. Conversávamos muito sobre eles.
Ela sempre dava ênfase ao que eu sentia nesses sonhos, as minhas emoções e também tentava fazer uma interpretaçãono que eu participava ativamente, usando toda a teoria que conseguia obter e entender nas leituras que fazia sobre o assunto.
Como já pesquisava o tema, lendo Jung, Marie-Luise von Franz, Freud e Erick Fromm  e já estava fazendo uma sondagem de mim nos meus sonhos, tinha tendência a puxar mais para as interpretações racionais e a recorrer a significados técnicos, se posso dizer isto. Minha terapeuta vendo isso, me fazia perceber mais o meu sentir nos sonhos, deixando as interpretações para segundo plano. Alertava-me para o que o meu ego estava sentindo no momento da aventura, do meu drama no sonho.
Os trabalhos terapêuticos eram animados e bastante produtivos. 
Eu anotava os sonhos todos tidos na semana e de que me lembrava, fazia minhas interpretações baseadas nos conhecimentos teóricos obtidos nos livros dos autores citados e ia para a terapia toda empolgada, achando que ia impressionar a terapeuta com a minha lição de casa, que aliás, nem era solicitada. Na verdade, eu meio que forcei os trabalhos terapêuticos nesse direção.
Essa hora de terapia era divertida e melhorava bastante meus ânimos. 
Bem, como tinha um pouco de conhecimento sobre o assunto, ficava também atenta estudando a minha terapeuta. E até já sabia quando ela se deslizava sem perceber para os processos de projeção.
Foram bastante proveitosas minhas horas com essa terapeuta. Pena que não deu para continuar pois estava passando por processo de grande transformação  em minha vida, transformação que, posteriormente, resultaram na minha mudança de país. 
Mas mudanças vêm para melhor, mesmo as que no momento sejam vistas como negativas. Mais à frente,  vamos verificar que foram necessárias para chegarmos ao lugar que estamos agora.
Como citei, nesse período andei pesquisando bastante sobre sonhos. E nessa procura, passeando um dia pelas livrarias da Av.Paulista (ah, como  são lindas! Que saudade...), um livrinho com aparência bem descompromissada caiu em minhas minhas mãos. Seu título: „Elementos da Sonhoterapia“. 
Comprei o livro e fui pra casa. Li-o de ponta a ponta naquela mesma noite. Maravilhoso! Parecia que tinha descoberto um tesouro. Esse livro me ajudou muito nesse período de minha vida. 
Certos tesouros custam tao pouco e vêm assim como por magia para nós, não é?
Esse livrinho foi meu segundo terapeuta.
Se você estiver nesse processo e desejar ir também nessa direção , tai uma boa pedida.


Abaixo, posto alguns trechos extraídos do livro para que você tenha uma idéia do conteúdo.  

"Elementos da Sonhoterapia" de Strephon-Kaplan-Williams:

  • "A pessoa que se identifica apenas com o lado bom e delicado da vida não tem escolha, já que a vida está controlada por um oposto.
  • A identificação  com o bem também tende a criar o mal como reação à unilateralidade.

  • Nos exemplos de sonhos, você verá sonhadores que aceitam e lidam com o lado sombrio em vez de rejeitá-lo, fugir dele, identificar-se com ele ou torná-lo bom.

  • Deparar-se com o „mal“ e expressá-lo não significa que representamos qualquer energia que seja evocada em nós, ainda que nos deparemos com ela e a tornemos relevante para nossas vidas.

  • Criamos tanto com a força destrutiva da vida quanto com a criativa.
Um erro humano importante.
  • Temos a suposição  fundamental de que o modo de lidar com a energia adversária é resistir a ela. Ou então reagirmos com violência à violência ou tentar fugir dela, ou ainda excluí-la como faria como „bom“ cristão. Tais abordagens aumentam a violência em ambos os lados e podem evocar a guerra, levanto à destruição  dos dois adversários e a uma solução que só poderá vir com a derrota deu ma uma ou ambas as partes. A maioria dos jogos é construída dentro deste formato de perder-ganhar, como se instintivamente os povos ainda devessem treinar sua juventude na antiga arte na guerra.
O novo caminho.
  • Entre em harmonia com a energia adversa, em vez de resistir a ela, crie com ela, inclua-a dentro de um todo maior. 

  • Nosso objetivo é levar a energia adversa para um padrão maior de integridade no qual ela possa desempenhar sua função  sem se tornar um câncer par o todo. Resistir ao mal faz com que ele deseje entrar.

  • Convide o mal a entrar e você aceitará a força destrutiva no plano de sua própria existência. (Isto no sonho) Exclua-o e ele conseguirá tudo de você.

  • Nós nos transformamos naquilo que mais tememos. Inclua-o e ele será apenas uma parte do todo.
Minhas observações : Devemos desenvolver uma atitude da não resistência.
  • Em termos de sonhoterapia não há mal, adversidade e destrutividade absolutos. O que transforma algo em mal é resistir a ele. O princípio-chave de se relacionar a forças adversas é equilibrar a energia.

  • Nos sonhos resistimos o tempo todo aos adversários. Juntamos com eles, fugimos deles.

  • Quanto mais rápido corremos, mais poder damos aos que nos perseguem. Quanto mais duro lutamos, mais terrível se torna a batalha. Quanto mais destruímos mais somos destruídos.

  • A energia está sempre tentando entrar em nossa esfera de existência. Algumas vezes nós a aceitamos e a denominamos boa. Outras, reagimos à energia e a denominamos má. Tememos que a energia nos magoe ou destrua, pouco percebendo que tudo o que entrar em nosso caminho é vida e pode ser manipulado.
  • O Ego não aprendeu a abranger o todo. Esta é a base para todos os sistemas éticos que julgam as coisas como boas ou más. O ego chama de bom aquilo de que gosta e de mau o que o ameaça.
  • O que existe é real, nem bom nem mau.
  • A realidade é nosso melhor professor. A realidade é o que nos assenta ao que é verdadeiro. A realidade é a grande adversária do ego."
Observações :
O que os sonhos nos mostram através dos símbolos é esta realidade da qual, muitas vezes, fugimos ou recusamos a admiti-la. Devemos vivenciá-la, aceitando suas verdades.
Precisamos mudar nossas posturas, reinventar nossos caminhos e tentar, pelo menos, fazer escolhas mais criativas.
A verdade de nós mesmos está nos sonhos, a arena do simbólico que está por trás do real.

Li em algum lugar o seguinte:
um homem sonhou que era uma borboleta. Agora ele não sabe se era uma borboleta que sonhou que era um homem ou se era um homem que sonhou que era uma borboleta...“
 "Um  sonho não compreendido é como uma carta não aberta". Talmude .
Seria bom, portanto, reservarmos sempre uma horinha para tentarmos entender o que os nossos sonhos estão querendo nos dizer. Tentarmos descobrir o que querem nos dizer nas suas entrelinhas, tentarmos conhecer a pessoa que age neles, sondar suas alegrias, seus temores, rejeições, rancores, enfim, conhecer  melhor essa pessoa que é você, verdadeiramente.

Vídeos sobre sonhos:








Livros sobre o assunto:

A maioria dos livros de Karl Gustav Jung
O Caminho dos Sonhos - Marie-Louise von Franz
A Interpretacao dos Sonhos - Freud
A Linguagem Esquecida - Erich Fromm


Obs.: Vídeos e livros aqui apresentados são  para fins informativos, ilustrativos e sugestoes eventuais com a finalidade de ajudar. Nao é objetivo deste blog, até o momento, divulgar produto com o intuito de comercializá-lo


Maria Aparecida Roque -Kottkamp

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