Quem sou eu

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Nascida há mais de meio século, entre uma floresta e uma montanha. Percorri caminhos descalça, entre cobras, formigas, vacas e tantos outros bichos. Depois, fui uma aluna aplicada da escola da vida em São Paulo, essa floresta metropolitana, onde quase esqueci minhas origens campesinas. Hoje, vivo na Alemanha, entre uma floresta e um canal. Na primavera, as margens se enchem de margaridas, mas sem cobras. Aqui, quase consigo reviver um pouco de quem um dia fui. Às vezes, sinto falta do sol, mas a neve também tem sua beleza. Estou aprendendo a apreciar tudo o que a vida me oferece. Adoro conversar sobre qualquer assunto que seja agradável, que traga conhecimento e aqueça a alma.

18.8.16

Maio chegou, uhu! Acordei!


Então, gente, maio chegou!

Finalmente, a neve deu um descanso e só retornará antes do Natal. Ela tira férias por aqui de maio a outubro, na verdade.

Não quero me demorar muito neste texto; preciso viver o verão, que já bate a nossa porta.

Quero apenas avisar que acordei!

Minha quase ausência no mês de abril, devidamente explicada no post anterior e, possivelmente, nem percebida por muitos, tinha prazo determinado, condição imposta por mim. E viva a vida!

O sol se mostra novamente, espalhando vitalidade e calor.

Como o sol é mágico!

Ele aparece e transforma tudo. O escuro fica claro, o marrom fica verde, o gelo vira água, que retoma seu curso; o vento — aquele vento chato do outono — torna-se mais morno, quase sempre de mãos dadas com as tempestades. Adoro tempestades!

Chuvas de verão...

Devido às variações de temperatura, ora muito quente, ora muito fria, ocorrem as chuvas de verão. Elas também trazem alguns transtornos por aqui. Muitos resmungam quando sua presença se prolonga. Esquecem-se, porém, de que elas são necessárias.

As estações transformam tudo e a todos com suas peculiaridades e diferenças. Fazem nossa vida por aqui mais significativa.

Na primavera, preparam-se os jardins e os campos para receber novas sementes. Mais tarde, as árvores frutíferas escandalizam a paisagem com suas flores rosas, brancas e amarelas.

Minhas florzinhas do terraço já foram semeadas — um restinho de sementes trazidas do Brasil. Uma contravenção, eu sei. Fui egoísta, uma criminosa. Corri um risco, e elas atravessaram o mar. O que teria sido das batatas sem essas contravenções? Aqui estão as batatas...ops, as florzinhas. Essas são do ano passado. Morreram todas por causa da neve.

No outono, tudo começa a declinar e a se preparar para o recolhimento.

O verão... Ah! Esse é o hóspede mais esperado por todos, todos os anos.

No verão, com a presença generosa do sol, ficamos mais afetuosos e alegres. Abrimo-nos todos, imitando as flores do campo. Tornamo-nos mais receptivos, sorridentes e românticos.

Quando ele chega, as mesas já estão no jardim, preparadas desde os primeiros dias de calor.


Convidamos os amigos para churrascos, quando se tem um jardim, ou mesmo no terraço, como é o meu caso. 

Fazemos longas caminhadas pelas margens do canal (ao lado, o canal. Foto tirada no outono), pelas florestas, tomamos sorvete na cidade, sentamo-nos em qualquer café para saborear uma xícara de café com um pedaço de torta durante horas, só para permanecer mais um bocadinho na presença do sol.

Aos poucos, as flores vão se despedindo para a reciclagem. Fazem-se as colheitas, recolhe-se o feno que alimentará os animais durante o inverno, ouvem-se os últimos ruídos das máquinas de cortar grama nos jardins ao redor. Os ventos começam a soprar as folhas que, antes verdes, adquirem tons de amarelo, vermelho e marrom, até finalmente caírem.

O brilho e o calor do sol vão se distanciando, e as janelas das casas passam a ser fechadas cada vez mais cedo.

O silêncio chega como preparação para o grande recolhimento coletivo do inverno.

No inverno, tudo se aconchega: os animais nos estábulos, as pessoas em casa, diante das lareiras e das velinhas acesas. As noites tornam-se longas, e os dias curtos. Na paisagem, o verde quase desaparece para dar lugar ao branco. Parece tudo morto. Não! Estamos nós e a natureza apenas descansando dos excessos do verão.

Por aqui é assim. Somos e agimos como as estações. Só quem vive em lugares onde elas são bem demarcadas consegue perceber e compreender esse processo. 

    Maria Aparecida Roque-Kottkamp

 Rabiscadora livre do cotidiano — sobretudo  

18.08.2016






Alemanha decide desativar suas uninas nucleares

                    Foto: DW

A Alemanha decide, finalmente, dizer adeus
 às suas usinas nucleares: um grande passo na direção de um futuro mais seguro para todos.

A discussão em torno do desligamento das usinas nucleares já acontecia havia alguns anos, impulsionada pela forte pressão do Partido Verde que, embora não representasse a maioria, vinha conquistando grande apoio da população alemã nessa questão.

Depois do vazamento nuclear no Japão, a pressão pelo fechamento das usinas aumentou significativamente. Houve muitos protestos e passeatas nas grandes cidades alemãs e, finalmente, a população conseguiu pressionar tanto o governo quanto a oposição.

A coalizão Preto-Amarelo, mais uma vez, cede à pressão e decide pôr fim aos últimos reatores nucleares da Alemanha.

O desligamento das instalações será gradual, com conclusão prevista para 2022. A decisão é considerada irreversível.

É claro que toda decisão de governo tem seus prós e seus contras. Há quem acredite que os alemães pagarão um preço alto por essa iniciativa. E esse argumento tem fundamento, pois a Alemanha não possui fontes de energia suficientes para atender integralmente à sua demanda, dependendo, em grande parte, da importação de energia de outros países. Caso não consiga substituir essa matriz energética em tempo hábil, poderá enfrentar sérios desafios.

O país vem investindo na ampliação da energia eólica e da energia solar, ambas fontes limpas de energia. No entanto, além de exigirem elevados investimentos, dependem das condições meteorológicas para produzir eletricidade. Especialistas afirmam que será difícil suprir toda a demanda nacional apenas por meio dessas fontes. Atualmente, as usinas nucleares respondem por cerca de 20% da energia consumida no país. Com sua desativação, e enquanto novas alternativas não forem plenamente implantadas, haverá um aumento no consumo de combustíveis fósseis, o que poderá gerar mais poluição e agravar o efeito estufa.

Uma parcela significativa da população alemã, entretanto, apoia a decisão do governo e elogia sua iniciativa, embora reconheça as consequências econômicas que essa medida poderá trazer ao país nos próximos anos.

Resta aguardar e torcer para que novas formas de energia, igualmente limpas e mais seguras, sejam desenvolvidas com a rapidez necessária.

Que outras nações europeias e do mundo sigam o exemplo alemão e passem a discutir programas de desativação de suas usinas nucleares. Afinal, já ficou demonstrado que elas representam um enorme risco para a população e têm sido, em alguns casos, motivo de graves tensões e conflitos políticos entre nações.

 

    Maria Aparecida Roque-Kottkamp

 Rabiscadora livre do cotidiano — sobretudo 

18.08.2016