11.8.26

NOVAS ELEIÇÕES ESTÃO CHEGANDO!




Novas eleições estão chegando. E, com elas, volta uma pergunta que deveria acompanhar cada eleitor muito antes de chegar à urna:

Quão cuidadoso sou ao escolher aqueles que irão me representar?

Votar não deveria ser apenas escolher um nome entre tantos que aparecem nas propagandas eleitorais. O voto é a escolha de quem receberá, por determinado período, uma parcela do poder que pertence a todos nós.

Ao escolher um representante, estou escolhendo alguém para cuidar não apenas da cidade ou do estado onde vivo, mas também, dependendo do cargo, dos interesses do país como um todo.

Por isso, antes de apertar a tecla “confirma”, seria importante perguntar:

Quem é esse candidato?

O que ele já fez? O que pretende fazer? Quais são suas propostas? Elas são viáveis ou são apenas promessas feitas para conquistar votos? Ele conhece os problemas que pretende enfrentar? Tem compromisso com aquilo que promete?

E, principalmente:

Que projeto apresenta para a sociedade e pelo que pretende lutar quando chegar ao Parlamento?

Um parlamentar não deveria ser apenas alguém que ocupa uma cadeira. Ele foi eleito para representar pessoas, defender interesses públicos, participar da elaboração das leis, fiscalizar o Poder Executivo e tomar decisões que podem afetar a vida de milhões de brasileiros.

Por isso, o eleitor também precisa compreender a responsabilidade que entrega junto com o seu voto.

Não basta reclamar dos políticos depois das eleições se, antes delas, não tivemos o cuidado de conhecer minimamente aqueles em quem pretendíamos votar.

O voto não termina na urna.

Depois da eleição, começa outra etapa: a do acompanhamento.

O representante eleito continua sendo representante do eleitor. É preciso observar suas decisões, suas posições, seus votos, suas alianças e, sobretudo, se está cumprindo aquilo que prometeu durante a campanha.

Mas existe também uma responsabilidade do candidato.

Quem pede um voto está pedindo confiança. E confiança não deveria ser utilizada como uma autorização para defender interesses pessoais, familiares, partidários ou econômicos em detrimento do interesse público.

Ser eleito não significa receber um cheque em branco.

O candidato eleito deve prestar contas de sua atuação à sociedade, e o eleitor deve estar disposto a acompanhar, questionar e cobrar.

Mas como limpar os corruptos do Congresso?

Talvez seja necessário começar por uma pergunta ainda mais incômoda:

Que tipo de eleitor estamos sendo?

Se escolho conscientemente um candidato que sei ser corrupto, por conveniência, por interesse pessoal, por amizade, por fanatismo ou simplesmente porque “todo mundo faz isso”, que resultado posso esperar dessa escolha?

Se quero um país menos corrupto, preciso pensar também na minha própria participação nesse processo.

Quero realmente diminuir a corrupção na política?

Como fazer?

Se desejamos combater a corrupção, precisamos começar verificando quais atos, pequenos ou grandes, de nossa própria conduta diária também poderiam ser considerados práticas corruptas.

É aqui que entra a autocorrupção.

A corrupção não começa necessariamente nos grandes escândalos, nos milhões desviados ou nos gabinetes do poder. Ela também pode aparecer nas pequenas concessões que fazemos quando acreditamos que determinada vantagem é aceitável porque nos beneficia.

Quando queremos levar vantagem a qualquer custo. Quando oferecemos algo para obter um benefício indevido. Quando aceitamos aquilo que sabemos ser errado porque, naquele momento, nos favorece. Quando condenamos a corrupção dos outros, mas relativizamos a nossa própria.

É preciso, portanto, partir para o autoenfrentamento.

Olhar para nós mesmos antes de apontar o dedo para os outros.

Isso não significa aceitar ou justificar a corrupção praticada por quem ocupa cargos públicos. Ao contrário: significa compreender que uma sociedade verdadeiramente ética precisa de cidadãos dispostos a exigir ética também de si mesmos.

A mudança precisa acontecer nos dois sentidos:

o cidadão precisa mudar para poder cobrar; e o representante precisa honrar o voto para continuar merecendo confiança.

Não podemos esperar que a política se transforme completamente se continuarmos tratando a eleição como uma disputa entre torcidas, escolhendo candidatos apenas porque pertencem ao nosso grupo, porque prometem alguma vantagem ou porque alguém nos disse que são os melhores.

Eleição não é campeonato.

É escolha.

E escolher exige responsabilidade.

Cabe ao candidato ter propostas, caráter público, compromisso e responsabilidade com o mandato que pretende receber.

Cabe ao eleitor pesquisar, pensar, comparar, escolher conscientemente e, depois, acompanhar e cobrar.

Talvez seja esse o caminho mais longo — e também o mais seguro — para transformar a política.

Não existe democracia saudável sem bons representantes. Mas também não existe democracia saudável sem cidadãos responsáveis.

Por isso, nas próximas eleições, antes de perguntar apenas “em quem vou votar?”, talvez devêssemos perguntar:

“Que tipo de país quero construir com o meu voto?”

E, depois de votar, não esquecer:

Mudar para cobrar.

Porque o voto é nosso direito, mas também é a nossa responsabilidade.

E somente quando aprendermos a escolher melhor, a acompanhar melhor e a cobrar melhor poderemos dizer, verdadeiramente:

“Eu fiz a minha parte.”


Maria Aparecida Roque-Kottkamp

Recife, 10.08.2026



18.8.16

Maio chegou, uhu! Acordei!


Então, gente, maio chegou!

Finalmente, a neve deu um descanso e só retornará antes do Natal. Ela tira férias por aqui de maio a outubro, na verdade.

Não quero me demorar muito neste texto; preciso viver o verão, que já bate a nossa porta.

Quero apenas avisar que acordei!

Minha quase ausência no mês de abril, devidamente explicada no post anterior e, possivelmente, nem percebida por muitos, tinha prazo determinado, condição imposta por mim. E viva a vida!

O sol se mostra novamente, espalhando vitalidade e calor.

Como o sol é mágico!

Ele aparece e transforma tudo. O escuro fica claro, o marrom fica verde, o gelo vira água, que retoma seu curso; o vento — aquele vento chato do outono — torna-se mais morno, quase sempre de mãos dadas com as tempestades. Adoro tempestades!

Chuvas de verão...

Devido às variações de temperatura, ora muito quente, ora muito fria, ocorrem as chuvas de verão. Elas também trazem alguns transtornos por aqui. Muitos resmungam quando sua presença se prolonga. Esquecem-se, porém, de que elas são necessárias.

As estações transformam tudo e a todos com suas peculiaridades e diferenças. Fazem nossa vida por aqui mais significativa.

Na primavera, preparam-se os jardins e os campos para receber novas sementes. Mais tarde, as árvores frutíferas escandalizam a paisagem com suas flores rosas, brancas e amarelas.

Minhas florzinhas do terraço já foram semeadas — um restinho de sementes trazidas do Brasil. Uma contravenção, eu sei. Fui egoísta, uma criminosa. Corri um risco, e elas atravessaram o mar. O que teria sido das batatas sem essas contravenções? Aqui estão as batatas...ops, as florzinhas. Essas são do ano passado. Morreram todas por causa da neve.

No outono, tudo começa a declinar e a se preparar para o recolhimento.

O verão... Ah! Esse é o hóspede mais esperado por todos, todos os anos.

No verão, com a presença generosa do sol, ficamos mais afetuosos e alegres. Abrimo-nos todos, imitando as flores do campo. Tornamo-nos mais receptivos, sorridentes e românticos.

Quando ele chega, as mesas já estão no jardim, preparadas desde os primeiros dias de calor.


Convidamos os amigos para churrascos, quando se tem um jardim, ou mesmo no terraço, como é o meu caso. 

Fazemos longas caminhadas pelas margens do canal (ao lado, o canal. Foto tirada no outono), pelas florestas, tomamos sorvete na cidade, sentamo-nos em qualquer café para saborear uma xícara de café com um pedaço de torta durante horas, só para permanecer mais um bocadinho na presença do sol.

Aos poucos, as flores vão se despedindo para a reciclagem. Fazem-se as colheitas, recolhe-se o feno que alimentará os animais durante o inverno, ouvem-se os últimos ruídos das máquinas de cortar grama nos jardins ao redor. Os ventos começam a soprar as folhas que, antes verdes, adquirem tons de amarelo, vermelho e marrom, até finalmente caírem.

O brilho e o calor do sol vão se distanciando, e as janelas das casas passam a ser fechadas cada vez mais cedo.

O silêncio chega como preparação para o grande recolhimento coletivo do inverno.

No inverno, tudo se aconchega: os animais nos estábulos, as pessoas em casa, diante das lareiras e das velinhas acesas. As noites tornam-se longas, e os dias curtos. Na paisagem, o verde quase desaparece para dar lugar ao branco. Parece tudo morto. Não! Estamos nós e a natureza apenas descansando dos excessos do verão.

Por aqui é assim. Somos e agimos como as estações. Só quem vive em lugares onde elas são bem demarcadas consegue perceber e compreender esse processo.

Por Maria Aparecida Roque-Kottkamp



 







Alemanha decide desativar suas uninas nucleares

                                       Foto: DW

A Alemanha decide, finalmente, dizer adeus
 às suas usinas nucleares: um grande passo na direção de um futuro mais seguro para todos.

A discussão em torno do desligamento das usinas nucleares já acontecia havia alguns anos, impulsionada pela forte pressão do Partido Verde que, embora não representasse a maioria, vinha conquistando grande apoio da população alemã nessa questão.

Depois do vazamento nuclear no Japão, a pressão pelo fechamento das usinas aumentou significativamente. Houve muitos protestos e passeatas nas grandes cidades alemãs e, finalmente, a população conseguiu pressionar tanto o governo quanto a oposição.

A coalizão Preto-Amarelo, mais uma vez, cede à pressão e decide pôr fim aos últimos reatores nucleares da Alemanha.

O desligamento das instalações será gradual, com conclusão prevista para 2022. A decisão é considerada irreversível.

É claro que toda decisão de governo tem seus prós e seus contras. Há quem acredite que os alemães pagarão um preço alto por essa iniciativa. E esse argumento tem fundamento, pois a Alemanha não possui fontes de energia suficientes para atender integralmente à sua demanda, dependendo, em grande parte, da importação de energia de outros países. Caso não consiga substituir essa matriz energética em tempo hábil, poderá enfrentar sérios desafios.

O país vem investindo na ampliação da energia eólica e da energia solar, ambas fontes limpas de energia. No entanto, além de exigirem elevados investimentos, dependem das condições meteorológicas para produzir eletricidade. Especialistas afirmam que será difícil suprir toda a demanda nacional apenas por meio dessas fontes. Atualmente, as usinas nucleares respondem por cerca de 20% da energia consumida no país. Com sua desativação, e enquanto novas alternativas não forem plenamente implantadas, haverá um aumento no consumo de combustíveis fósseis, o que poderá gerar mais poluição e agravar o efeito estufa.

Uma parcela significativa da população alemã, entretanto, apoia a decisão do governo e elogia sua iniciativa, embora reconheça as consequências econômicas que essa medida poderá trazer ao país nos próximos anos.

Resta aguardar e torcer para que novas formas de energia, igualmente limpas e mais seguras, sejam desenvolvidas com a rapidez necessária.

Que outras nações europeias e do mundo sigam o exemplo alemão e passem a discutir programas de desativação de suas usinas nucleares. Afinal, já ficou demonstrado que elas representam um enorme risco para a população e têm sido, em alguns casos, motivo de graves tensões e conflitos políticos entre nações.

Maria Aparecida Roque-Kottkamp

18.08.2016


6.3.12

Nascer Mulher


Rilke 

Ao escolher nascer mulher, fiz um pacto com a Criação: um pacto de cooperação, cuja tarefa é contribuir em alto nível.

Sei que muitas fêmeas de outras espécies também cooperam.

A girafa, a macaca, a patinha da vizinha...

Aliás, sou muito próxima de quase todas as espécies, menos da das lesmas. Não gosto de lesmas. São rastejantes e nojentas, mas também cooperam à sua maneira.

Das cobras, porém, eu gosto. Embora também rastejantes, não são nojentas. Têm iniciativa, são ágeis e temidas.

É muito bacana ser mulher.

Sabe essa qualidade nossa de não diminuir, não abandonar, de proteger e acolher, que compõe a nossa natureza? Faz toda a diferença. É ela que traz mais saúde e humanidade ao mundo.

Há muitas que nem sabem da própria importância. Essas são tristes.

Adoramos curar!

— Vai um chazinho aí?

— Machucou? Vem cá, que vou limpar isso. Vou colocar um curativo.

— Está tristinho? Quer conversar um pouco?

Ser mulher é participar da vida em suas muitas dimensões.

Participamos da vida quando lutamos por igualdade e por justiça. (Mulher odeia injustiças!)

Participamos da vida quando plantamos roçados, cuidamos de jardins, preparamos uma comida, pregamos botões numa camisa, desenvolvemos projetos, participamos de decisões importantes mundo afora, alfabetizamos crianças nas escolas, ensinamos nas universidades, gerenciamos famílias e empresas, governamos nações e amamentamos nossos bebês.

À Caminho do Conhecimento 








Minha irmã tem nove filhos.

Ela corta cana, colhe laranjas, batatas, jabuticabas etc., como tantas outras mulheres, para alimentar a família.

Foto : MST
Aos sábados, vai dançar com as amigas.

Aos domingos, cozinha para os filhos, as noras, os netos e os amigos, que vêm saborear sua deliciosa macarronada de domingo.

Ela cozinha cantando.

Minha amiga também cozinha cantando aos domingos.

Mulher não faz guerra.

Mulher dança, mulher canta...

Eu canto e danço também.

Danço com a vida e para me alegrar.

Foto de M.A.Roque-Kottkamp

Cozinho, limpo, lavo, passo.

E também escrevo.

Fiz um pacto com a Criação: cooperar em alto nível.

Penso que nascer mulher é uma escolha.

E, por ser uma escolha, nem Deus consegue limitá-la.



Lembra da Eva, lá no início da história? A primeira desobediente?

Maravilhosa Iniciativa 

Aquela que pôs abaixo o Paraíso, até hoje lamentado pelos preguiçosos?

Curiosa criatura.

Convencida por aquela maravilhosa serpente, come a maçã e vira tudo de pernas para o ar.

Nunca mais vida mansa!

Nunca mais mesmice!

Depois disso, Deus desiste da ideia de paraíso.

E, não podendo mais abortar o projeto, acha por bem deixar a criatura por sua própria conta.

Sabe de uma coisa?

Penso até que foi a mulher quem criou a si mesma.

E que pode ter sido ela também quem gestou Deus.

Foto do Brasil Escola

Por Maria Aparecida Roque-Kottkamp


17.11.11

Protetor Solar


PROTETOR SOLAR

PRIMEIRAS TENTATIVAS

As primeiras tentativas de desenvolver um protetor solar aconteceram no Egito, há aproximadamente 7.800 a.C.  A substância era composta de extrato de mamona e magnólia.

Há cerca de 400 a.C., na Grécia, sabe-se que também se tentou desenvolver uma fórmula de protetor solar a partir de uma mistura de óleo de oliva e areia.

Já no século XX, em 1928, nos Estados Unidos, foi desenvolvido um produto com mais compostos químicos, à base de salicilato e cinamato de benzila. Em 1944, fizeram uma nova tentativa, dessa vez à base de petróleo.

Mas os primeiros protetores solares eficazes começaram a ser desenvolvidos, de fato, a partir dos anos 1930. De lá para cá, busca-se cada vez mais melhorar a eficácia e a capacidade de proteção desse produto.

FATOR DE PROTEÇÃO SOLAR (FPS) — PARA QUE SERVE?

O Fator de Proteção Solar (FPS) costuma variar de 15 a 60 e, normalmente, a embalagem informa para qual tipo de pele o produto é mais apropriado.

Os fatores mais baixos são, em geral, indicados para peles mais escuras, enquanto os fatores mais altos são rec omendados para peles mais claras.

Como o próprio nome indica, o protetor solar serve para proteger a pele dos efeitos nocivos que os raios ultravioletas podem causar, filtrando parte dessa radiação e reduzindo sua ação sobre a pele.

Os raios ultravioletas tornam-se prejudiciais quando provocam queimaduras, alterações celulares e outros danos que podem contribuir para o surgimento do câncer de pele.

POLÊMICAS

Nos últimos anos, algumas marcas de renome, bastante respeitadas no mercado de cosméticos, têm sido questionadas em relação à eficácia da proteção que prometem nas embalagens.

Algumas dessas marcas foram submetidas a testes em laboratórios considerados confiáveis, e os resultados colocaram em xeque o fator de proteção oferecido por elas. Esses testes, naturalmente, foram contestados pelos fabricantes das mesmas marcas.

O consumidor, por isso, deve ficar atento ao escolher uma marca de protetor solar, para não correr o risco de utilizar um produto que, além de não proteger adequadamente a pele, possa ainda causar outros danos.

QUANDO USAR

Nos horários de maior intensidade dos raios solares, entre 10 e 16 horas, na praia e sempre que houver necessidade de se expor ao sol.

Sempre que possível, também é recomendável utilizar outras formas de proteção, como chapéu, guarda-sol ou sombrinha.

COMO USAR

Aplicar o protetor nas partes do corpo que ficarão expostas ao sol. Se for à praia, recomenda-se aplicá-lo no corpo todo. Se for sair à rua ou realizar algum trabalho ao ar livre por mais de uma hora, deve-se aplicá-lo nas partes não cobertas pela roupa.

O ideal seria consultar um dermatologista para que ele avalie sua pele, indique um protetor solar apropriado e oriente quanto ao seu uso adequado e seguro.

Tomando essas precauções, já é possível curtir o verão com mais segurança.

Sites consultados:
http://gpquae.iqm.unicamp.br/protetor.pdf
www.youtube.com — vídeos

1.6.11

A Alemanha diz "Adeus "as suas Usinas Nucleares


A Alemanha decide, finalmente, dizer adeus as suas usinas nucleares: um grande passo na  direção de um futuro mais seguro para todos.
A discussão em torno do desligamento das usinas nucleares já estava acontecendo há algum tempo e com muita pressão do Partido Verde que - embora não represente a maioria -  vinha conseguindo grande apoio da população alemã  nesse sentido. 
Depois dos últimos acontecimentos no Japão, a exigência da população alemã para pôr fim às usinas aumentou. Houve muitos protestos e passeatas nas grandes cidades do país e, mais um vez, Preto e Amarelo se unem e votam pelo fim das usinas nucleares na Alemanha.
O desligamento dos 17 reatores ainda restantes  será gradativo, e o prazo para encerramento será em 2022;  e é irreversível.
É claro que toda decisão tomada num governo tem sempre os prós e os contras. Há os que acreditam que os alemães vão pagar um preço alto demais por essa iniciativa. E eles têm razão, pois a Alemanha não possui fontes de energia suficientes para seu consumo, precisando importar a maior parte dela dos países estrangeiros. E se não conseguir um substituto em tempo hábil, terá grandes problemas  pela frente. Eles vêm tentando aumentar a implantação do sistema de energia eólica  e da energia solar, fontes de energia limpa, mas que dependem de condições meteologógicas favoráveis para funcionarem. E será difícil conseguir por meio desses sistemas de gerador de energia atender a demanda. 
As usinas nucleares cobrem 20% de toda a energia consumida no país, e com o seu desaparecimento e, enquanto não  se conseguem novas fontes de abastecimento,  haverá aumento no consumo de combustíveis fósseis, o que irá gerar mais poluição e contribuir para o aumento do efeito estufa.
Uma boa parte da população alemã, entretanto, apoia  a decisão tomada pelo governo, louvando sua iniciativa, mas não ignoram também as consequências econômicas que essa decisão poderá representar para o país nos próximos anos.
Vamos aguardar e torcer muito para que um outra forma de energia igualmente limpa e mais segura seja desenvolvida com a rapidez esperada.
E, que outras nações européias e do mundo sigam o exemplo alemão e comecem a pensar num programa de desligamento de suas usinas nucleares também, pois já ficou comprovado:  elas representam enorme perigo a todos e  têm sido também causa de graves conflitos políticos  entre algumas nações.

Por: Maria Aparecida Roque-Kottkamp

26.5.11

Mulher, essa incompreendida

 

Desde Eva, parece que a mulher carrega uma curiosa condenação: a de ser responsabilizada por coisas que os homens não conseguem — ou não querem — compreender.

Ao longo da história, os homens falaram muito sobre as mulheres. Definiram-nas, explicaram-nas, julgaram-nas, idealizaram-nas e, não raramente, fizeram delas motivo de piada. Discutiam-se política, filosofia, economia e os grandes assuntos de seu tempo — assuntos importantes, haja vista - e piadas de salão, cujo objeto de riso era a mulher. 

Sobre as mulheres, porém, tinham pouco a dizer. Era uma desconhecida. 

E disseram de tudo sobre ela: que falavam demais, que eram perigosas, frágeis, tortas, tentadoras, difíceis de compreender, capazes de destruir paraísos e até de constituir um “erro” divino.

Algumas dessas frases vieram de homens brilhantes que revelam como a maneira como a maioria desses homens de determinadas épocas as enxergavam.

E é justamente por isso que vale a pena revisitá-las.

Não para fazer um julgamento retroativo de todos os seus autores, nem para transformar cada frase em prova definitiva do pensamento de uma época. Mas para observar, com alguma ironia e uma boa dose de espírito crítico, como a mulher foi descrita.   

Acompanhe algumas dessas pérolas.

“Certas mulheres podem falar horas a fio sobre qualquer assunto. A minha mulher nem precisa de assunto.”
— Sam Levenson

Quando eram eles a falar sem parar, chamava-se debate, análise, estratégia, filosofia ou política. Quando era uma mulher, bastava dizer que ela “falava demais”.Talvez o problema nunca tenha sido a quantidade de palavras, mas quem tinha o direito de pronunciá-las.  

“Presume-se que a mulher deve esperar, imóvel, até ser cortejada. Mais ou menos como a aranha espera a mosca.”
— George Bernard Shaw

Ainda bem que muita coisa mudou — embora ainda haja um longo caminho pela frente.

A mulher já não precisa permanecer imóvel, à espera de que alguém a escolha, como se estivesse aguardando o caçador aparecer. Em muitos países, conquistou-se o direito de fazer suas próprias escolhas: escolher se quer, com quem quer e, sobretudo, não querer.

E talvez uma das maiores conquistas seja justamente esta: aprender — e fazer valer — o direito de dizer NÃO.

Não quando não quer.
Não quando não gosta.
Não quando se sente assediada.
Não quando simplesmente não está interessada.

Porque liberdade não é apenas poder escolher. É também poder recusar.

“Estou convencido de que é melhor ser impetuoso do que circunspecto, porque a sorte é como a mulher; e, para dominá-la, é necessário bater nela e contrariá-la.”
— Nicolau Maquiavel

Sabemos que a violência contra a mulher continua sendo uma realidade brutal em muitas sociedades e que o feminicídio permanece como uma de suas expressões mais extremas. 

Nesta frase, Maquiavel recorre a uma metáfora bastante reveladora de seu tempo: compara a sorte — a fortuna — a uma mulher que, para ser dominada, deveria ser “batida” e contrariada. A violência aparece, portanto, não apenas como uma possibilidade, mas como um instrumento legítimo de domínio. É uma frase antiga, mas a ideia que ela carrega está longe de ser apenas histórica. Durante séculos, a mulher foi colocada no lugar de algo que deveria ser conquistado, submetido e controlado. E talvez seja justamente por isso que certas frases dos grandes autores mereçam ser revisitadas: não para apagar seus autores da história, mas para enxergar, nas palavras que atravessaram os séculos, as ideias que também ajudaram a construir a sociedade em que vivemos.

“É mais fácil morrer por uma mulher do que viver com ela.”
— George, Lord Byron

Pois é...

Talvez seja mesmo mais fácil morrer por uma mulher do que viver com ela. Afinal, morrer por uma mulher permite transformá-la em musa, paixão, mistério ou tragédia. Conviver com ela exige algo bem mais difícil: reconhecê-la como pessoa.

Uma pessoa que pensa, discorda, muda de ideia, tem desejos próprios, defeitos, qualidades e, sobretudo, vontades.

Talvez o problema nunca tenha sido compreender as mulheres. Talvez tenha sido aceitar que elas não existem para caber nas fantasias que os homens criaram sobre elas.

“A mulher será sempre o perigo de todos os paraísos.”
— Paul Claudel

Talvez essa ideia de que a mulher representa um perigo seja muito mais antiga do que imaginamos.

Em algumas partes do mundo, essa visão chega ao extremo de ainda obrigar mulheres a esconder o rosto e o corpo atrás de panos, como se a sua simples existência fosse, por si só, uma ameaça. 

Desde Eva, ela carrega simbolicamente a culpa pela perda do Paraíso. Bastou uma mulher ousar romper com a monotonia, experimentar o desconhecido e tomar uma decisão por conta própria para que sua curiosidade se transformasse, por milênios, em pecado.

Essa figura estranha, como disse Rita Lee, "que todo mês sangra", quando ousa desejar, é tentadora; quando ousa dizer não, é difícil.

E quando ousa ser livre! Então, é ainda mais perigosa. É o diabo encarnado!

O verdadeiro perigo está na maneira persistente e equivocada como ela é vista — uma visão que, há séculos, tem servido para justificar a violência sobre ela mundo afora.

  “A mulher foi o segundo erro de Deus.”

— Friedrich Nietzsche

Nem esse conseguiu entender as mulheres. Também, ocupou-se tanto em viajar pelos próprios pensamentos que talvez não tenha lhe sobrado muito tempo para conhecê-las melhor. Assim, acabou sendo mais fácil reduzi-las a uma pequena — e infeliz — frase.

Alguém sabe qual teria sido o primeiro erro de Deus?

Será que foi o homem?

E, para finalizar nossa pequena viagem no tempo, na tentativa de sondar algumas das falas de pensadores sobre as mulheres, registradas em suas obras, vamos à última frase: 

“Deus criou a mulher de uma costela, de um osso torto. Se procurares endireitá-la, quebrará. Tenham, pois, paciência com as mulheres.”
— Maomé

Essa é quase um elogio, se comparada às anteriores. 

Talvez, entre tantas frases que tentaram explicar, diminuir ou ridicularizar a mulher, esta tenha ao menos uma pequena dose de bom senso: aceitem-nas como são e tenham paciência.

Convenhamos: depois de tantos séculos tentando entendê-las, já seria um bom começo.

Talvez a verdadeira sabedoria esteja justamente em compreender que uma mulher não é um osso torto, nem algo que precise ser moldado à vontade de alguém.

Para nossa conclusão, vai a pergunta: Afinal, quem é essa mulher?

Aqui, expusemos apenas algumas frases de pensadores do passado. Mas, se perscrutarmos os escritos e as falas de filósofos, escritores, pensadores e homens comuns — frequentadores assíduos dos salões de outrora — em busca do que pensavam sobre as mulheres, talvez a conclusão mais óbvia seja também a mais simples: eles falaram muito sobre elas, mas nem sempre falaram com elas.

Transformaram-nas em musa, pecado, tentação, perigo, mistério, prêmio, desgraça, costela torta e até erro de Deus. Criaram explicações para seus comportamentos, justificativas para seus desejos e regras para seus corpos. Disseram como deveriam falar, amar, vestir-se, comportar-se e até o quanto e quando deveriam falar.

Mas quase sempre esqueceram de uma coisa elementar: perguntar a elas quem eram.

Talvez a mulher não seja tão incompreendida porque seja difícil de compreender. Talvez tenha sido incompreendida porque, durante muito tempo, não lhe deram espaço suficiente para contar a própria história.

E é justamente aí que esta pequena viagem pelas frases de tantos homens termina.

O intuito dessa pequena investigação não é o de condenar todos os homens, nem para negar a importância de grandes autores por causa de uma frase infeliz. Mas para lembrar que inteligência, genialidade e reconhecimento histórico não tornam ninguém imune aos preconceitos de seu próprio tempo.

As frases permanecem. E nós podemos visitá-las.

Podemos rir de algumas, indignar-nos com outras, questioná-las e, sobretudo, perceber o quanto uma sociedade revela de si mesma quando fala sobre aqueles que colocou em posição de inferioridade.

Durante séculos, disseram às mulheres quem elas deveriam ser.

Talvez tenha chegado a hora de simplesmente deixá-las ser.

Nem musa. Nem pecado. Nem perigo. Nem costela. Nem erro.

Simplesmente Mulher.


Maria Aparecida Roque-Kottkamp

Texto escrito em 2011 e revisado em 11.08.2026

5.4.11

Abril

Abril, abril... 

Estamos começando o mês de abril.

Ou será o mês de abril que está começando?

Estamos começando em abril. Começando... Começando o quê?

Por minha vez, estou começando a escrever este texto, que, por acaso, está acontecendo no mês de abril.

„April, April, der macht, was er will.“

Dizem os alemães. Traduzindo mais ou menos: em abril pode nevar, chover, fazer sol, ventar... O mês de abril faz o que quer. Tudo pode acontecer neste mês.

Mas o que poderá nos proporcionar um mês?

Este mês?

Na verdade, um mês é só uma palavra.

Se eu ler “mês” ao contrário, vira “sêm”.

Abril, escrito ao contrário, vira “lirba”.

“Sêm” e “lirba” não significam nada. Procurei no dicionário e não encontrei nada — a não ser nomes de empresas e de pessoas que, para mim, não dizem absolutamente nada.

Veja só: quando escrevo uma palavra ao contrário, posso dessignificá-la. Posso acabar com a sua graça. Ela passa a ser apenas um amontoado de letrinhas deficientes. Perde a voz, perde o sentido.

É o que acontece comigo diante de “sêm” e “lirba”: sem sentido.

Mas, se continuarmos brincando com as letras — isso se chama anagrama —, “abril” pode também virar “lirba”.

Não quero, porém, seguir nessa direção.

“Lirba” lembra “libra”, que lembra balança, que lembra justiça, que lembra dinheiro, que lembra poder, submissão, corrupção, prostituição, caução...

Tudo com significados pesados demais e estressantes para mim.

Então, voltando ao tema em questão, pergunto:

O que reserva para nós este sêm? Este lirba?

Pensei bem sobre isso e tomei uma decisão:

Não quero ter parte alguma com os acontecimentos deste mês.

Vou desligar a TV, o rádio, o telefone e a internet.

Ih... esqueci-me do celular.

Vou desligá-lo também!

Não me telefonem!

Quero me alienar. Quero me esconder. Quero dormir por alguns dias. Dormir no sêm de lirba, no sêm da mentira, no sêm sem significado, e só acordar em “oiam”.

Repito:

Não quero ter nada a ver com este sêm.

Tsunamis, terremotos, vazamentos nucleares, terríveis assassinatos, novas guerras...

Que exploda o mundo!

Quero estar dormindo!

Quero dormir...

Dormir...

E dormir ainda mais.

Quero estar nem aí. Não quero ter ligação alguma com nada nem com alguém.

E o que acontecer com Ioko, Hans, Muhamad, John não vai me afetar. Onde quer que estejam, suas tristezas, seus dramas, suas tragédias e suas perdas não serão imagens nem vozes para mim.

Porque estarei dormindo.

Dormindo no sêm de lirba.

No sêm da mentira.

No sêm sem significado.

Vou desligar todos os fios. Vou me desconectar do mundo.

Vou fazer isso pela minha saúde mental.

O sêm de março é o culpado.

Foi turbulento, atrevido, estressou meio mundo e foi embora sem olhar para trás.

E eu também vou.

Se ele pode, eu também posso.

Então, vou terminar logo com este blá-blá-blá, que já está ficando chato, vou-me.

Só volto no sêm de maio.

Ops!

Oiam.

sêm das noivas.

Sêm da abolição.

Sêm do trabalho.

Sêm dos acontecimentos bons.

Agora, fui mesmo!

Bizzz...

Maria Aparecida Roque-Kottkamp

Divulgado em 05.04.2011

Revisado em 13.08.2026