Finalmente, a neve deu um descanso e só retornará antes do Natal. Ela tira férias por aqui de maio a outubro, na verdade.
Não quero me demorar muito neste texto; preciso viver o verão, que já bate a nossa porta.
Quero apenas avisar que acordei!
Minha quase ausência no mês de abril, devidamente explicada no post anterior e, possivelmente, nem percebida por muitos, tinha prazo determinado, condição imposta por mim. E viva a vida!
O sol se mostra novamente, espalhando vitalidade e calor.
Como o sol é mágico!
Ele aparece e transforma tudo. O escuro fica claro, o marrom fica verde, o gelo vira água, que retoma seu curso; o vento — aquele vento chato do outono — torna-se mais morno, quase sempre de mãos dadas com as tempestades. Adoro tempestades!
Chuvas de verão...
Devido às variações de temperatura, ora muito quente, ora muito fria, ocorrem as chuvas de verão. Elas também trazem alguns transtornos por aqui. Muitos resmungam quando sua presença se prolonga. Esquecem-se, porém, de que elas são necessárias.
As estações transformam tudo e a todos com suas peculiaridades e diferenças. Fazem nossa vida por aqui mais significativa.
Na primavera, preparam-se os jardins e os campos para receber novas sementes. Mais tarde, as árvores frutíferas escandalizam a paisagem com suas flores rosas, brancas e amarelas.
Minhas florzinhas do terraço já foram semeadas — um restinho de sementes trazidas do Brasil. Uma contravenção, eu sei. Fui egoísta, uma criminosa. Corri um risco, e elas atravessaram o mar. O que teria sido das batatas sem essas contravenções? Aqui estão as batatas...ops, as florzinhas. Essas são do ano passado. Morreram todas por causa da neve.
No outono, tudo começa a declinar e a se preparar para o recolhimento.
O verão... Ah! Esse é o hóspede mais esperado por todos, todos os anos.
No verão, com a presença generosa do sol, ficamos mais afetuosos e alegres. Abrimo-nos todos, imitando as flores do campo. Tornamo-nos mais receptivos, sorridentes e românticos.
Quando ele chega, as mesas já estão no jardim, preparadas desde os primeiros dias de calor. Convidamos os amigos para churrascos no jardim, quando se tem um, ou mesmo no terraço, como é o meu caso. Fazemos longas caminhadas pelas margens do canal (ao lado, o canal. Foto tirada no outono), pelas florestas, tomamos sorvete na cidade, sentamo-nos em qualquer café para saborear uma xícara de café com um pedaço de torta durante horas, só para permanecer mais um bocadinho na presença do sol.
Aos poucos, as flores vão se despedindo para a reciclagem. Fazem-se as colheitas, recolhe-se o feno que alimentará os animais durante o inverno, ouvem-se os últimos ruídos das máquinas de cortar grama nos jardins ao redor. Os ventos começam a soprar as folhas que, antes verdes, adquirem tons de amarelo, vermelho e marrom, até finalmente caírem.
O brilho e o calor do sol vão se distanciando, e as janelas das casas passam a ser fechadas cada vez mais cedo.
O silêncio chega como preparação para o grande recolhimento coletivo do inverno.
No inverno, tudo se aconchega: os animais nos estábulos, as pessoas em casa, diante das lareiras e das velinhas acesas. As noites tornam-se longas, e os dias curtos. Na paisagem, o verde quase desaparece para dar lugar ao branco. Parece tudo morto. Não! Estamos nós e a natureza apenas descansando dos excessos do verão.
Por aqui é assim. Somos e agimos como as estações. Só quem vive em lugares onde elas são bem demarcadas consegue perceber e compreender esse processo.
Por Maria Aparecida Roque-Kottkamp












