11.8.26

NOVAS ELEIÇÕES ESTÃO CHEGANDO!


NOVAS ELEIÇÕES ESTÃO CHEGANDO!

Novas eleições estão chegando. E, com elas, volta uma pergunta que deveria acompanhar cada eleitor muito antes de chegar à urna:

Quão cuidadoso sou ao escolher aqueles que irão me representar?

Votar não deveria ser apenas escolher um nome entre tantos que aparecem nas propagandas eleitorais. O voto é a escolha de quem receberá, por determinado período, uma parcela do poder que pertence a todos nós.

Ao escolher um representante, estou escolhendo alguém para cuidar não apenas da cidade ou do estado onde vivo, mas também, dependendo do cargo, dos interesses do país como um todo.

Por isso, antes de apertar a tecla “confirma”, seria importante perguntar:

Quem é esse candidato?

O que ele já fez? O que pretende fazer? Quais são suas propostas? Elas são viáveis ou são apenas promessas feitas para conquistar votos? Ele conhece os problemas que pretende enfrentar? Tem compromisso com aquilo que promete?

E, principalmente:

Que projeto apresenta para a sociedade e pelo que pretende lutar quando chegar ao Parlamento?

Um parlamentar não deveria ser apenas alguém que ocupa uma cadeira. Ele foi eleito para representar pessoas, defender interesses públicos, participar da elaboração das leis, fiscalizar o Poder Executivo e tomar decisões que podem afetar a vida de milhões de brasileiros.

Por isso, o eleitor também precisa compreender a responsabilidade que entrega junto com o seu voto.

Não basta reclamar dos políticos depois das eleições se, antes delas, não tivemos o cuidado de conhecer minimamente aqueles em quem pretendíamos votar.

O voto não termina na urna.

Depois da eleição, começa outra etapa: a do acompanhamento.

O representante eleito continua sendo representante do eleitor. É preciso observar suas decisões, suas posições, seus votos, suas alianças e, sobretudo, se está cumprindo aquilo que prometeu durante a campanha.

Mas existe também uma responsabilidade do candidato.

Quem pede um voto está pedindo confiança. E confiança não deveria ser utilizada como uma autorização para defender interesses pessoais, familiares, partidários ou econômicos em detrimento do interesse público.

Ser eleito não significa receber um cheque em branco.

O candidato eleito deve prestar contas de sua atuação à sociedade, e o eleitor deve estar disposto a acompanhar, questionar e cobrar.

Mas como limpar os corruptos do Congresso?

Talvez seja necessário começar por uma pergunta ainda mais incômoda:

Que tipo de eleitor estamos sendo?

Se escolho conscientemente um candidato que sei ser corrupto, por conveniência, por interesse pessoal, por amizade, por fanatismo ou simplesmente porque “todo mundo faz isso”, que resultado posso esperar dessa escolha?

Se quero um país menos corrupto, preciso pensar também na minha própria participação nesse processo.

Quero realmente diminuir a corrupção na política?

Como fazer?

Se desejamos combater a corrupção, precisamos começar verificando quais atos, pequenos ou grandes, de nossa própria conduta diária também poderiam ser considerados práticas corruptas.

É aqui que entra a autocorrupção.

A corrupção não começa necessariamente nos grandes escândalos, nos milhões desviados ou nos gabinetes do poder. Ela também pode aparecer nas pequenas concessões que fazemos quando acreditamos que determinada vantagem é aceitável porque nos beneficia.

Quando queremos levar vantagem a qualquer custo. Quando oferecemos algo para obter um benefício indevido. Quando aceitamos aquilo que sabemos ser errado porque, naquele momento, nos favorece. Quando condenamos a corrupção dos outros, mas relativizamos a nossa própria.

É preciso, portanto, partir para o autoenfrentamento.

Olhar para nós mesmos antes de apontar o dedo para os outros.

Isso não significa aceitar ou justificar a corrupção praticada por quem ocupa cargos públicos. Ao contrário: significa compreender que uma sociedade verdadeiramente ética precisa de cidadãos dispostos a exigir ética também de si mesmos.

A mudança precisa acontecer nos dois sentidos:

o cidadão precisa mudar para poder cobrar; e o representante precisa honrar o voto para continuar merecendo confiança.

Não podemos esperar que a política se transforme completamente se continuarmos tratando a eleição como uma disputa entre torcidas, escolhendo candidatos apenas porque pertencem ao nosso grupo, porque prometem alguma vantagem ou porque alguém nos disse que são os melhores.

Eleição não é campeonato.

É escolha.

E escolher exige responsabilidade.

Cabe ao candidato ter propostas, caráter público, compromisso e responsabilidade com o mandato que pretende receber.

Cabe ao eleitor pesquisar, pensar, comparar, escolher conscientemente e, depois, acompanhar e cobrar.

Talvez seja esse o caminho mais longo — e também o mais seguro — para transformar a política.

Não existe democracia saudável sem bons representantes. Mas também não existe democracia saudável sem cidadãos responsáveis.

Por isso, nas próximas eleições, antes de perguntar apenas “em quem vou votar?”, talvez devêssemos perguntar:

“Que tipo de país quero construir com o meu voto?”

E, depois de votar, não esquecer:

Mudar para cobrar.

Porque o voto é nosso direito, mas também é a nossa responsabilidade.

E somente quando aprendermos a escolher melhor, a acompanhar melhor e a cobrar melhor poderemos dizer, verdadeiramente:

“Eu fiz a minha parte.”

Maria Aparecida Roque-Kottkamp



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